Um novo mercado da Construção Civil

Por Mirian Blanco (Construção Mercado Ed. PINI)

 

 

As oportunidades para cada agente e elo da cadeia de construção civil e os desafios para a nova política habitacional vingar

O plano habitacional “Minha Casa, Minha Vida” promete contornos novos ao setor de construção civil. Classes econômicas ganham acesso, com condições inéditas, ao primeiro imóvel; projetistas e arquitetos – os primeiros a sentirem os abalos da crise econômica por conta da parada abrupta de novos lançamentos – agora travam corrida pela qualificação; construtores de obras públicas saem do sufoco das margens curtas do PAR (Programa de Arrendamento Residencial) e se destacam pela experiência na baixa renda; grandes incorporadoras, que antes só alçavam lucros entre famílias com rendas de, pelo menos, cinco salários mínimos, agora podem chegar à faixa de até três salários – quem sabe abaixo disso; fornecedores de materiais conseguem a tão reivindicada redução do IPI; municípios, de contratantes, viram parceiros. São os novos desenhos do setor.

Construção Mercado seguiu os traços desse retrato para identificar oportunidades e desafios peculiares aos diferentes elos e agentes da cadeia de construção civil. Como você – agente financeiro público e/ou privado, município, companhia de habitação, incorporadora de capital aberto, construtora de obras públicas e de habitação, projetista e arquiteto, fornecedor de materiais e serviços – entra nesse pacote?

Em geral, as projeções delineiam cenários positivos para todos os envolvidos. Entretanto, algumas imprecisões nas linhas da política do governo esboçam panoramas contrários e que podem passar a borracha em grande parte das promessas traçadas. A Caixa vai dar conta? As prefeituras estão prontas? E o planejamento urbano? É obra pública ou privada? Sem terrenos à disposição, onde construir? Qualquer tecnologia vale?

Todas essas questões são imprescindíveis para tornar factível a ampliação vultosa do número de pessoas com acesso à moradia e consequentemente do volume de obras. Somando subsídio e renda própria, uma família que ganha por mês cinco salários mínimos poderia obter, antes do pacote, uma moradia financiada no valor máximo de R$ 59.485. Segundo a Apeop (Associação Paulista dos Empresários de Obras Públicas) hoje, essa mesma família, dado o aumento da ajuda do governo, tem acesso a quase R$ 76 mil em financiamento.